Sanidade gera divergências na cadeia da carne

Garantir compradores que paguem bem pelo seu produto é um desafio para qualquer segmento. Na pecuária de corte, isso não é diferente. Mas só qualidade não garante aos frigoríficos colocar a produção em mercados cobiçados como Japão e Europa, que possuem uma forte exigência em relação à sanidade do rebanho proveniente daquela carne. A sanidade, por sua vez, tem sido alvo de recorrentes discussões de todos os elos da cadeia produtiva. Uma delas é a batalha do Paraná em alcançar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, já que atualmente o Estado é reconhecido como área livre da doença, mas com vacinação. O objetivo do Paraná é negociar a sua produção com países da Europa e o Japão que exigem esse tipo de status.


Garantir compradores que paguem bem pelo seu produto é um desafio para qualquer segmento. Na pecuária de corte, isso não é diferente. Mas só qualidade não garante aos frigoríficos colocar a produção em mercados cobiçados como Japão e Europa, que possuem uma forte exigência em relação à sanidade do rebanho proveniente daquela carne.
A sanidade, por sua vez, tem sido alvo de recorrentes discussões de todos os elos da cadeia produtiva. Uma delas é a batalha do Paraná em alcançar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, já que atualmente o Estado é reconhecido como área livre da doença, mas com vacinação. O objetivo do Paraná é negociar a sua produção com países da Europa e o Japão que exigem esse tipo de status.

Contudo, nem todos os produtores são favoráveis à medida porque, segundo eles, o status de área livre sem imunização poderá prejudicar a vinda de animais de reposição provenientes de outros estados. Adolfo Paranaguá, produtor na região de Godoy Moreira (Norte), afirma que a sanidade hoje tem virado uma questão comercial.
O pecuarista explica que, com o status de área livre de aftosa sem vacinação, o Paraná ficará isolado como ficou Santa Catarina, única unidade da federação que obtém o reconhecimento. "O Estado precisa de animais de outras regiões porque o número do rebanho paranaense é baixo", frisa o pecuarista. Paranaguá destaca que o Estado não tem mais gado de cria, só de engorda.

"Criar fêmeas dá trabalho e, ainda sim, não há mão de obra disponível", observa o pecuarista. Ele destaca que o sistema de engorda é mais vantajoso para o produtor paranaense e aponta que a sanidade praticada pelos pecuaristas no Estado é muito boa. Atualmente, Paranaguá possui 1.400 animais.

André Carioba, produtor na região de São Sebastião da Amoreira (Norte Pioneiro), afirma que o Paraná tem uma das melhores defesas sanitárias do Brasil. Contudo, se diz receoso em relação à busca do Estado em conquistar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. Para dar certo, na opinião dele, os estados vizinhos, como São Paulo e Mato Grosso do Sul também precisariam adquirir o status, já que o Paraná recebe muitos animais dessas regiões porque não é autossuficiente na produção de gado de cria.

"Estamos em um momento delicado para fazer tal investimento", destaca o produtor em relação à baixa oferta de animais. Carioba só trabalha com confinamento, cuja capacidade estática é de 2.200 animais. Moacir Sgarioni, presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), afirma que a medida vai na contramão do mundo moderno, que está cada vez mais globalizado. "Na última reunião que tivemos com o governador Beto Richa conseguimos sensibilizar o governo em relação ao assunto", explica.

OUTRO LADO
Adriano Riesemberg, diretor de defesa agropecuária da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), afirma que os pecuaristas que compram de fora do Estado são os que mais estão preocupados com a questão. Ele afirma, porém, que o trânsito de animais sem qualquer critério não pode acontecer. "Os produtores vão ter que se adequar. Isso não é uma justificativa para encerrar o pedido", enfatiza o diretor da Adapar.

Na opinião de Riesemberg, a sanidade é um pré-requisito para o Paraná crescer no segmento. "Temos que conquistar o mercado japonês que só compra boi sem vacinação", destaca. O diretor da Adapar reconhece que ainda falta uma estruturação física em termos de controle de fronteira para monitorar o trânsito de animais. "Mas já temos técnicos recém-contratados e não temos vírus circulante da febre aftosa", enaltece Riesemberg.

Inácio Kroetz, presidente da Adapar, explica que o andamento do pedido de status de área livre de aftosa sem vacinação continua, mas ainda haverá imunização de todo o rebanho em novembro e de animais de até dois anos em maio de 2016. "A partir dessa última vacinação, será decidido se o Estado toma o pleito". Se continuar, o rebanho paranaense precisa ficar 12 meses sem vacinação para dar entrada nos documentos que serão enviados à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE).

Em relação à peste suína, a Adapar também busca o status de livre da doença, fazendo parte do mesmo projeto da aftosa. E para já ajudar a controlar a doença, no início do mês o Ministério da Agricultura anunciou uma Instrução Normativa que estabelece novas normas para o trânsito de suínos, produtos e material genético originários do animal com destino ao Paraná e mais 14 estados brasileiros.

De acordo com o Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa, não é mais permitida a entrada de carnes frescas com ou sem osso, de linguiças frescais, de produtos enformados (hambúrguer, almôndega e outros), de produtos de curta ou média cura (salame, copa e outros) e de miúdos in natura e salgados (língua, fígado, rins, coração, pulmão, pés e outros) e gorduras para essas 15 regiões vindas de outros estados.

Folha Web
Autor: Ricardo Maia
http://agrolink.com.br/saudeanimal/noticia/sanidade-gera-divergencias-na-cadeia-da-carne_224229.html

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