Focado na qualidade, Prado está há 68 anos no mercado.

Aos 94 anos de idade, fundadora do Laboratório Prado continua à frente de decisões importantes da empresa.

Fabricando vacinas e medicamentos para cães, gatos e cavalos, o Laboratório Prado, fundado em 1948, em Curitiba, é hoje uma grande e reconhecida empresa no mercado de saúde e nutrição animal, em especial para bovinos de leite e de corte, suínos, caprinos e equinos. A empresa é presidida por um de seus fundadores, a empresária Bernadette Todeschini Riffaud.

Com 94 anos de idade e muita disposição, ela conta como fez para manter a empresa em crescimento no mercado nestes quase 70 anos de fundação.

Atenta ao desenvolvimento de novos produtos, Bernadette nunca se descuidou da qualidade de tudo o que oferece ao mercado. Se pudesse mudar alguma coisa na empresa, que nasceu em um bairro, ela mudaria quase tudo, menos as pessoas. Confira a entrevista exclusiva ao Diário dos Campos.


DIÁRIO – Como surgiu a ideia de fundar a empresa?

BERNADETTE - O Milton, meu falecido marido (Dr. Milton Prado Riffaud, médico veterinário e fundador da empresa), sempre foi um empreendedor e, desde muito jovem, procurava contribuir para a medicina veterinária através de pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos. Ainda no mundo acadêmico, como reconhecido pesquisador e professor da Universidade Federal do Paraná, o sonho do Milton era de colocar em prática seus conhecimentos. Desta forma surgiu em 1948 o Laboratório Prado. No início éramos uma pequena empresa em um bairro central de Curitiba. Nos anos 60 inauguramos no bairro do Tarumã, em Curitiba, nossa primeira indústria, onde fabricávamos e vendíamos em uma farmácia anexa, vacinas e medicamentos para cães, gatos e cavalos. O tempo passou e hoje somos uma grande e reconhecida empresa no mercado de saúde e nutrição animal, em especial para bovinos de leite e de corte, suínos, caprinos e equinos.


DIÁRIO - Como foram os primeiros anos da empresa em termos de aceitação no mercado e desenvolvimento de produtos?

BERNADETTE - Naquela época as coisas eram muito mais difíceis e os medicamentos para animais eram quase inacessíveis. Os produtos Prado, que sempre prezaram pela qualidade, com preços justos, foram muito bem recebidos pelos criadores locais e aos poucos foram conquistando os mercados mais distantes. Mais tarde, com a introdução de diversos produtos na área de nutrição animal a marca Prado passou a ter projeção nos demais estados do Sul e em todo o Brasil.


DIÁRIO - Uma empresa é feita de histórias. Conte uma que marcou a vida da empresa.

BERNADETTE - São inúmeras as histórias que deixaram uma marca em nossa jornada, mas as que mais me emocionam, até hoje, são aquelas trazidas por pessoas que nos procuram para contar alguma experiência pessoal, dos tempos de infância, quando vinham com seus pais até a nossa fábrica do Tarumã para comprar vacinas ou medicamentos para seus cães ou gatos. Minha emoção é porque essas histórias sempre vinculam o Prado às lembranças que estas pessoas têm de seus entes e animais queridos, muitos que há muito já se foram.


DIÁRIO - O que fez com que a empresa se firmasse no mercado ao longo destes anos?

BERNADETTE - Com quase setenta anos de vida uma empresa só permanece no mercado se tiver uma atenção especial à qualidade efetivamente percebida pelos seus clientes de seus produtos e serviços, e um carinho especial com seus colaboradores. Nessa longa história tivemos um número incontável de clientes e colaboradores. Hoje temos diretamente ligados a nós aproximadamente 110 famílias representadas aqui por nossos colaboradores internos e externos. Este é, com certeza, o nosso diferencial.


DIÁRIO - Se a empresa fosse fundada hoje, a senhora mudaria alguma coisa? O que?

BERNADETTE - Eu poderia mudar muita coisa, quase tudo, afinal o mundo de hoje comparado com os anos cinquenta certamente exigiria que fôssemos diferentes. Mas uma coisa é certa, as pessoas seriam exatamente as mesmas.


DIÁRIO - Como a senhora avalia a atual situação econômica do país? A empresa foi atingida de alguma forma?

BERNADETTE - Já passamos por tantas crises econômicas, políticas e institucionais que até perdi a conta. Nossa visão é que, apesar da crise atual ser profunda, nós brasileiros sairemos fortalecidos em nossa ética ao fazermos negócios e na escolha de nossos dirigentes políticos. Quanto ao Laboratório Prado, foi exatamente nestes últimos anos, os mais difíceis para a economia do país, em que mais crescemos e fortalecemos nossa base de negócios. Isto porque, em nosso dia a dia, procuramos superar as dificuldades e trabalhar com energia redobrada e longe do pessimismo.


DIÁRIO - Quais os planos da empresa para o futuro em termos de crescimento?

BERNADETTE - Nossos diretores, apoiados por seus colaboradores e com o permanente acompanhamento de nosso Conselho de Administração, têm como meta um crescimento compatível com as reais expectativas de crescimento do setor pecuário.

Sabemos que este setor tem apresentado um crescimento marcante nos últimos anos, tanto voltado ao mercado interno como à exportação. Entendemos que nossos conhecimentos específicos do setor, nossa tradição e a força da nossa marca nos posiciona na vanguarda deste crescimento.


DIÁRIO - Fale um pouco sobre como é, hoje, a sua rotina diária e de que forma contribui para o desenvolvimento da empresa.

BERNADETTE - Hoje, com meus 94 anos, participo bem menos do dia a dia do Laboratório Prado. Muito diferente de anos atrás, quando eu procurava estar todos os dias na empresa, contribuindo nas minhas áreas de afinidade. Pensando no futuro, estabelecemos conceitos rígidos de governança corporativa. Hoje tenho apoio de uma diretoria executiva profissional, sempre acompanhada pelo nosso Conselho de Administração, o qual eu presido.


Por Luciana R. Brick

JORNAL DIÁRIOS DOS CAMPOS
Caderno AGROBINESS, sexta-feira, 15 de julho de 2016.
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