Produção brasileira de Senepol avança

Número de animais no País saltou de 35 mil em 2014 para 52 mil neste ano. Associação Brasileira dos Criadores acredita em cerca de 70 mil bovinos "puros" em 2017

Apesar de representar uma parcela pequena na pecuária brasileira (menos de 0,5%), em comparação com as 215,2 milhões de cabeças de bovinos no último ano, a produção de gado do tipo Senepol avança a passos largos por aqui.

Cruzamento das raças "Red Poll" (inglesa) e "N'Dama" (senegalesa), o manejo de custo baixo e maior qualidade soma atualmente 52 mil animais puros no País. No ano passado eram 44 mil e, em 2014, 35 mil bovinos desse tipo, de acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Bovino Senepol (ABCB Senepol).

No próximo ano, a meta do segmento é chegar à marca dos 70 mil bovinos, e, em um prazo de três anos, ultrapassar os 100 mil bovinos.

Um dos exemplos desse crescimento é a Senepol Nova Vida, empresa de comercialização das matrizes (vacas doadoras de sêmen).

"Para este ano e o ano que vem, a perspectiva continua em ascendência no valor médio individual, na venda de sêmen e na entrada de novos criadores para a raça", disse o diretor executivo da Senepol Nova Vida, Ricardo Arantes.

Crescimento

Para Arantes, não houve uma retração na pecuária com a crise econômica. No entanto, ele diz ter sentido um aumento na inadimplência entre os produtores.

"A inadimplência era muito baixa, mesmo a pecuária de maior valor agregado. Eu percebi que este ano avançou de 2% a 3% para 5% a 6%. Isso é reflexo de pessoas que trabalham com a pecuária e têm outra atividade financeira", conta.

Mesmo assim, a Senepol Nova Vida realizou sete leilões para a venda de matrizes em 2016 e quer chegar a dez no próximo ano. No total, foram cerca de 400 animais vendidos neste ano. Para 2017, o objetivo é atingir 1.000 animais.

No começo da semana, um novo leilão ocorreu em São Paulo. No evento, foram vendidos 22 lotes de fêmeas e outros 40 lotes de machos.

O preço médio da fêmea custa R$ 25 mil, e o touro, por volta de R$ 14 mil.

"Apesar da crise na economia brasileira, o Senepol como raça saltou de 32 leilões para 48 leilões neste ano, reflexo do crescimento. Mesmo em crise, a pecuária foi a menos afetada [do que as demais culturas]", opinou o executivo.

Já fêmeas de elite, que têm genética ainda superior e passam por testes de avaliação, estão cotadas em R$ 49 mil. "Conseguimos atingir um público diferente, que é o produtor já tem o rebanho estabilizado e quer ter uma outra genética. O impacto é um animal ainda mais valorizado", explica Arantes.

Trajetória

A Senepol Nova Vida foi uma das pioneiras a importar animais vivos da raça Senepol para o Brasil. O pai de Ricardo, João Arantes Júnior, começou o projeto no Estado de Rondônia ainda no ano 2000.

"Quando o meu pai trouxe a raça, tinha certeza que o Brasil ia ser o maior produtor de carnes do mundo. Mas ele acreditava que o Brasil necessitava ter uma produção de carne de melhor qualidade. Para continuar com uma produção barata, ia precisar ter um cruzamento entre a raça Taurina [como Britânicos] e Zebuina [como Nelore]", relembra.

O desenvolvimento gradativo do segmento fez com que a empresa adquirisse, em 2013, o rebanho da norte-americana Sacramento Farms e doadoras WC, CN e PRR, visando o refrescamento de sangue do rebanho brasileiro.

"Com isso, a gente produziu os embriões e estamos importando o sêmen dos Estados Unidos para ter um refrescamento de sangue nos animais brasileiros", conclui Arantes.

Data de Publicação: 07/11/2016 às 18:10hs
Fonte: DCI
http://www.portaldoagronegocio.com.br/noticia/producao-brasileira-de-senepol-avanca-151795

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