Ilha de sanidade' garante mercado para carne brasileira em 2017

O ano de 2016 não foi tão bom para a indústria de proteínas como o anterior. O avanço esperado no início do ano não aconteceu.

Ao contrário, o complicado cenário econômico interno fez com que a produção de carne de frango recuasse.

A recessão econômica, a taxa elevada de desemprego e a queda de renda interromperam o ritmo de crescimento do consumo interno.

Tudo isso, somado a uma intensa aceleração nos custos de produção, principalmente devido à escalada dos preços do milho.

Do lado externo, a boa notícia foi que os volumes exportados continuaram crescendo, mas as receitas não acompanharam esse desempenho.

Em 2017, o cenário deverá ser melhor. Essa é a esperança de Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Duas são as principais apostas do executivo. O Brasil já está praticamente em todos os mercados mundiais e continua ampliando a sua atuação, principalmente em países que pagam mais pelo produto.

Segundo, boa parte dos concorrentes e de grandes consumidores tem sérios problemas com a sanidade animal, como gripe aviária e peste suína. As doenças atingem América do Norte, Europa, África e Ásia.

O Brasil continua uma ilha. Uma das causas são as condições atmosféricas do país, que deixam os animais menos suscetíveis a doenças. A temperatura média por aqui é de 24ºC, enquanto a da Europa e de algumas outras regiões produtoras de proteínas fica entre 8ºC e 10ºC, segundo Turra.

A biosseguridade é um fator muito importante para o Brasil e deverá ajudar nas vendas dos produtos brasileiros no próximo ano, acredita ele.

Turra não descarta também o fator Donald Trump a favor do Brasil. A política externa do presidente eleito dos Estados Unidos poderá colocar o México mais perto do Brasil.

Os mexicanos têm uma demanda grande por frango e por suínos. E, recentemente, elegeram o Brasil como uma nova fonte de mercado.

OS NÚMEROS

O Brasil deverá produzir 12,9 milhões de toneladas de carne de frango neste ano, abaixo dos 13,1 milhões de 2015.

O consumo per capita, que foi de 43,2 quilos no ano passado, recuou para 41,1 quilos em 2016, conforme dados da ABPA.

Já o setor de carne suína surpreendeu. O consumo interno caiu 3,5% e foi afetado pela recessão, mas a demanda externa ficou acima do que o setor esperava.

As exportações deste ano devem atingir 720 mil toneladas e superar em 30% as de 2015.

A produção interna fica em 3,7 milhões de toneladas, 2% acima da do ano anterior, mas o consumo per capita anual cai para 14,4 quilos, ante 15,2 quilos em 2015.

O bom desempenho das exportações vai permitir ao setor receitas de US$ 1,4 bilhão neste ano com a carne suína, 13% acima do desempenho de 2015.

Só com oração

Uma das preocupações do setor brasileiro de carnes é se manter longe de eventuais problemas sanitários. Com relação ao bioterrorismo, Francisco Turra, da ABPA, diz que "só com orações".

Data de Publicação: 14/12/2016 às 12:00hs
Fonte: Folha de S. Paulo

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