Leite para todos

No entanto, inegavelmente diversas pessoas têm apresentado quadros de intolerância ou alergia ao leite. Este fato alimenta ainda mais as tais teorias.

O leite, mesmo com as inúmeras críticas e teorias fantasiosas que invadem as mídias sociais e são replicadas mais que bactérias em placas de cultura, continua sendo um alimento apreciado e um elemento essencial na dieta de muitas pessoas; no meio rural dizemos que é indispensável de mamando a caducando.

No entanto, inegavelmente diversas pessoas têm apresentado quadros de intolerância ou alergia ao leite. Este fato alimenta ainda mais as tais teorias. Por outro lado, enquanto o ceticismo em relação ao real valor nutricional do leite é fomentado por crendices, a ciência busca explicações.

Entre estes estudos descobriu-se que os problemas de alergia, ou intolerância, parecem ter surgido há apenas um século. Mas o ser humano vem ingerindo leite, de origem bovina, há quase 10.000 anos. Assim, foi necessário investigar o que havia mudado neste último século.

As pesquisas demonstraram que reações dos humanos, em realção a lactose, tem relação direta com um tipo específico de proteína. Sabe-se que todas asfêmas dos mamíferos, incluindo a mulher, produzem, no leite, uma proteína denominada ßcaseina A2. No entanto, algumas fêmeas bovinas sofreram uma alteração genética e passaram a produzir também uma proteína denominada ßcaseína A1. A única diferença entre as duas proteínas é apenas um aminoácido na 67ª posição entre 203 aminoácidos que compõem as duas proteínas. A ßcaseína A1 possui um aminoácido histidina, enquanto que a ßcaseína A2 tem uma prolina na 67ª posição. Este “detalhe” não é aceito pelo organismo de muitas pessoas, assim como, de diversos outros animais.

Intolerância à lactose e alergia à proteína do leite, muitas vezes, são confundidas pelo consumidor. Isto é justificável, pois ambas são ocasionadas pelo mesmo alimento: o leite. Além disto, elas possuem sintomas similares, como desconforto abdominal, cólicas e diarréia. Mas é impostante conseguir identificar qual a causa do problema. Afinal, quando se é intolerante deve-se excluir a lactose ou apenas ingerir pequenas quantidades de alimentos, que contenham traços de lactose (também depende grau de intolerância). Por outro lado, na alergia ao leite de vaca, a ingestão de qualquer proteína do leite ou alimentos que contenha qualquer traço deve ser excluída para evitar desencadear uma reação alérgica.

Sabidamente estas enfermidades se expressam somente quando as pessoas ingerem leite oriundo de vacas que possuem os Alelos A1. Tais fatos levaram os investigadores a estudar genótipos e raças, e descubra qual alelo A1 e A2 têm freqüências mais altas. Desde então, essas raças que apresentam uma maior quantidade de A1 alelo A1 leite é uma alergénicos começou a produzir leite que podem causar doenças às pessoas predispostas. Assim, começou a produzir raças com quantidades mais elevadas de alelo A2 A2 leite, que não causa doenças e podem ser ingeridos por pessoas com APLV.

Hoje por meio de testes genômicos, já empregados por diversos produtores em sua rotina, há rebanhos sendo selecionados com vacas que sejam A2A2 em seu genoma. Assim, o leite oriundo, destes animais, não causa reação alguma! Liberado leite a todos. Aproveite e beba leite!

Por Roberta Züge; membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET); Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP); Sócia da Ceres Qualidade.

Data de Publicação: 10/01/2017 às 12:40hs
Fonte: Assessoria de Comunicação CCAS

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