Confinamento deverá avançar 13% neste ano

Perspectiva de preços maiores no mercado futuro para o boi gordo, queda no custo do milho, principal ingrediente da ração de animais, e valor da reposição animam os produtores brasileiros

O número de animais confinados em 2017 no Brasil deve crescer 13,5%, para 4,2 milhões de cabeças em relação aos 3,7 milhões de bovinos terminados em cocho em 2016. A estimativa é do gerente nacional de confinamento da Tortuga/DSM, Marcos Baruselli.

Ele aposta em uma recuperação no confinamento para o chamado segundo "giro", que começa em agosto e termina em outubro, em média. No primeiro giro os animais entram no cocho em maio.

"O primeiro giro foi bastante prejudicado por questões como a operação Carne Fraca e a demanda baixa pela proteína. Mas, agora, a situação está bastante favorável para o segundo", explica.

Entre os fatores que formam esse cenário mais atraente Baruselli aponta o preço do milho. O grão é o principal insumo para a alimentação dos animais no cocho, e representa até 70% do volume da ração ofertada aos bovinos. "Em algumas praças estamos vendo milho para venda a menos de R$ 17".

No ano passado, com a quebra da produção, a saca de 60 quilos do grão chegou a ser negociada a R$ 60, o que inibiu os confinadores. Neste ano, a cotação está em R$ 25,41, na média de Campinas (SP), segundo o Cepea.

Outro item que pesa a favor do pecuarista é a reposição. "A relação de troca nunca esteve tão boa", afirma Baruselli. Ele calcula que, em 2015, o valor do bezerro era de, em média, R$ 1,5 mil. Neste ano, ele estima preços inferiores a R$ 1 mil. "É um momento interessante para confinar e abrir espaço para garantir os estoques de gado", opina. "Com isso, o pecuarista ganha em produtividade", destaca.

A elevação do valor da arroba completa o cenário animador para a atividade. No mercado futuro, o contrato com vencimento em outubro estava cotado a R$ 139,01 nesta segunda-feira (7). No mercado físico, a arroba terminou a segunda-feira cotada a R$ 128. No ano passado, a cotação estava na casa dos R$ 150. "O preço volta a melhorar e isso vai levar à realização de um grande giro no segundo semestre", estima o gerente. "Os currais estão enchendo."

Circuito

Baruselli fez as projeções para a atividade durante o lançamento da terceira edição do Tour DSM de Confinamento, na manhã de ontem, em São Paulo. O circuito, que visitará clientes da companhia nos meses de agosto, setembro e outubro deste ano, será realizado em 12 etapas, o dobro em relação ao ano passado.

Os confinamentos ficam em nove estados: São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Sergipe, Maranhão, Rio Grande do Sul e Paraná. A primeira parada será a propriedade de Rubens Kaneo Abe, nesta sexta-feira (11). O pecuarista, segundo Baruselli, é um exemplo da recuperação das intenções de terminação de animais no cocho. "No ano passado, ele confinou 600 animais e, neste ano, confinará o dobro", informa o gerente.

Na ocasião, Baruselli apresentou resultados obtidos pelos pecuaristas visitados na edição do ano passado. As fazendas contam com até cinco mil animais confinados, perfil que permanece neste ano. "Mesmo em um ano em que o custo de produção estava alto, todos os produtores registraram resultados positivos", salienta o idealizador do projeto.

Ele cita como exemplo um pecuarista de Mato Grosso, que teve custo de produção de R$ 70 por arroba e receita de R$ 120 por arroba, um ganho de R$ 50 por arroba. "Para este ano esperamos um resultado ainda melhor para os produtores do que em 2016", estima.

Conforme o gerente, o custo de confinamento em São Paulo, por exemplo, gira em torno de R$ 100 por arroba. "São, em média, R$ 39 de ganho", salienta. "Em Goiás e Mato Grosso, esse custo está ainda menor", diz o gerente da companhia.
Data de Publicação: 09/08/2017 às 11:10hs
Fonte: DCI

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